Marechal Rondon - O desbravador e os índios

Marechal Rondon - O desbravador e os índios

Nascido em Mimoso, no estado de Mato Grosso, em 5 de maio de 1865. Cândido Mariano da Silva Rondon, ou simplesmente Marechal Rondon, foi um militar, explorador, pacificador e sertanista brasileiro. Viveu 92 anos, vindo a falecer em 19 de janeiro de 1958, no Rio de Janeiro. O sobrenome Rondon, com a autorização do Ministério da guerra, ele acrescentou ao seu próprio nome, como uma forma de homenagem ao seu tio que cuidou dele até os seus dezesseis anos.

Não é à toa que pode vir o estado de Rondônia em sua mente. Cujo estado é o único do Brasil, que tem seu nome como forma de homenagem a uma figura histórica nacional.

Morrer se preciso for, matar nunca! – Lema de Marechal Rondon

Família

Seu pai, Cândido Mariano da Silva, descendia de portugueses e espanhóis miscigenados com índígenas Guaná. Sua mãe, Claudina Freitas Evangelista, era descendente de indígenas Terena e Bororo.

Infelizmente seu pai morreu de varíola, em 1864, e sua mãe faleceu em 1867. Sendo Rondon, criado pelo seu avô José Mariano da Silva, que posteriormente veio a falecer. Restando o seu tio paterno, Manuel Rodrigues da Silva Rondon, capitão da Guarda Nacional, que o levou para Cuiabá para cuidar de sua criação.

Iniciando a sua vida no exército

Rondon no exército

Rondon, deixa os cuidados do seu tio e ingressa no Exército Brasileiro, aos 16 anos.

O jovem incorpora-se ao 3º Regimento de Artilharia à Cavalo, como soldado. Logo após, ingressa na Escola Militar da Praia vermelha, no Rio de Janeiro, onde obtém o bacharelado em Ciências Físicas e Naturais.

Em março de 1889, ingressou na Escola Superior de Guerra. Foi aluno de Benjamin Constant, de quem recebeu a formação positivista que conservou por toda a vida. Ainda no mesmo ano, participou do movimento político-militar no Rio de Janeiro que derrubou a monarquia e instituiu o regime republicano no país.

Em dezembro de 1889, recebeu o título de engenheiro militar e de bacharel em matemática e ciências físicas pela Escola Militar. No dia 23 deste mesmo mês, é nomeado Ajudante do major Antonio Ernesto Gomes Carneiro na Comissão Construtora de Linhas Telegráficas de Cuiabá ao Araguaia.

Em 4 de janeiro de 1890, era promovido a alferes (posto correspondente hoje a aspirante-a-oficial). Três dias depois, ascendeu ao posto de Primeiro-tenente de Estado Maior de Primeira Classe por serviços relevantes à República.

Em 1891, tornou-se professor de Astronomia e Mecânica da Escola Militar.

Constituindo uma nova família

Em fevereiro de 1982, casou-se no estado do Rio de Janeiro com Francisca Xavier, filha de um de seus professores do curso preparatório. Eles tiveram sete filhos: Bernardo Tito, Heloísa, Clotilde, Beatriz Emília, Branca Luíza, Maria Sylvia e Maria de Molina.

Em março de 1982, Rondon é nomeado chefe do Distrito Telegráfico de Mato Grosso e pede exoneração do cargo de professor. Em setembro do mesmo ano, promovido a capitão, substituiu o major Gomes Carneiro na chefia da Comissão Construtora de Linhas Telegráficas.

Desbravando em paz com os índios

Rondon o desbravador

Rondon teve uma grande importância no sertão brasileiro, abrindo caminhos, lançando linhas telegráficas, registrando sua topografia, descobrindo rios, estudando a flora e a fauna. E quando você vê um cenário que junta militares e índios, pode parecer que houve dispustas e desentendimentos, mas segundo a história e relatos de quem participou das expedições, foram estabelecidas relações respeitosas e desmistificando a imagem que os índios tinham de violentos, na época.

Com essa mentalidade humanista, foi possível que as missões de desbravamentos e construções fossem realizadas em paz, sem combates. Entre outras nações indígenas, Rondon manteve contato pacífico com o povo Bororo, Nhambiquara, Urupá, Jaru, Karipuna, Ariqueme, Boca Negra, Pacaás Novo, Macuporé, Guaraya, Macurape, entre outras.

De 1892 a 1898, Rodon ajudou a construir as linhas telegráficas de Mato Grosso a Goiás, entre Cuiabá e o Araguaia, e uma estrada de Cuiabá a Goiás. Nomeado auxiliar técnico da Intendência Geral da Guerra em 1899, permaneceu pouco tempo no cargo.

Em 1900, recebeu a missão de estender a ligação telegráfica a partir do Rio de Janeiro até as fronteiras com o APraguai e a Bolívia. Durante esse trabalhado, Rondon foi promovido a major em 1903. Essa expedição terminou em 1906, e foram contruídas 1.746km de linhas telegráficas, ficando o Rio de Janeiro ligado à Corumbá e Coimbra, na fronteira da Bolívia, e a Porto Murtinho e Bela Vista, na fronteira com o Paraguai.

Em 1907, no posto de major do Corpo de Engenheiros Militares, foi nomeado chefe da comissão que deveria construir a linha telegráfica de Cuiabá a Santo Antônio do Madeira, a primeira a alcançar a região amazônica, e que foi denominada Comissão Rondon. Esse trabalho foi desenvolvido de 1907 a 1915.

Durante esse período, houve o processo de demarcação de pequenas reservas de terras para os índios do Mato Grosso ao Amazonas. Ele tinha uma real preocupação com os povos indigenas, devido a um cenário marcadamente de extermínio aos povos indígenas no Brasil.

Essa comissão, acabou sendo mais do que uma expedição para estender linhas telegráficas e se tornou um simbolo de contato com os povos indígenas.

Em 20 de junho de 1910, foi criado o primeiro órgão de assistência aos indígenas. O Serviço de Proteção aos Índios (SPI) foi organizado pelo marechal Rondon, seu primeiro diretor, sendo substituído apenas na década de 60 pela Fundação Nacional do Índio (Funai), que atua até hoje.

Theodore Roosevelt e o rio da dúvida

Rondon com Roosevelt

Theodore Roosevelt, Jr. foi um militar, explorador, naturalista, autor e político norte-americano. Ele foi o 26º Presidente dos Estados Unidos de 1901 a 1909, tendo ascendido à presidência depois de brevemente atuar como o 25º Vice-presidente.

1 ano após de ter sido derrotado na eleição de 1912, quando tentava o seu terceiro mandato. Ele aceitou os convites da Argentina, Brasil e Chile para fazer conferências. No Brasil, ele faria uma expedição para obter espécimes da fauna brasileira, para o Museu Americano de História Natural de Nova York.

O nosso governo brasileiro, ofereceu o então coronel Rondon, para acompanhá-lo a expedição e a ajuda logística para o transporte de até 5 toneladas de bagagens.

No dia 4 de outubro de 1913, Rondon encontrava-se no interior da Floresta Amazônica, no posto telegráfico de Barão do Melgaço, quando recebeu telegramas dos ministros da Guerra, Viação e Exterior informando-o da nova missão.

Em 12 de dezembro de 1913, Rondon partiu com o ex-presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt na Expedição Científica Rondon-Roosevelt, cujos objetivos eram explorar o Rio da Dúvida. A expedição deixou Tapiripuã e chegou ao Rio da Dúvida em 27 de fevereiro de 1914. Eles colocaram no mapa do Brasil um rio antes totalmente desconhecido, pois o que era o rio da Dúvida, passou a ser o Rio Roosevelt. A Expedição durou até o dia 7 de maio de 1914.

A aventura envolveu muitos sacrifícios, sendo a expedição mais difícil da vida de Roosevelt. Segundo as pesquisas que fiz, 3 pessoas morreram nessa aventura. O rio tem cerca de 1500 km de extensão, nascendo no município de Vilhena, Rondônia, e deságua no rio Madeira, no estado do Amazonas.

Continuando a carreira

Rondon

Após a expedição com Roosevelt, Rondon continuou mapeando o estado de Mato Grosso, até 1919. Descobrindo mais alguns rios e fzanedo contato com várias tribos indígenas.

Como general de brigada em 1919, Rondon foi nomeado diretor de Engenharia do Exército, e autorizou a construção de quartéis. Nessa época ele também acumulou os cargos de chefe da corporação brasileira de engenheiros e de chefe da Comissão Telegráfica. E em 1923, sendo promovido a general de divisão.

Em 1924 e 1925, é nomeado para reprimir os militares rebeldes que, sob o comando de Isidoro Dias Lopes, combatiam o governo federal nos Estados do Paraná e de Santa Catarina. Fora ter o trabalho na inspeção das linhas telegráficas.

Entre 1927 a 1930, fica responsável pela inspeção das fronteiras do País, estudando seu povoamento e segurança, enquanto mantém a inspeção das linhas telegráficas. Com a Revolução de 1930, solicita passagem para a reserva do Exército. Assim, preparando relatórios da inspeção de fronteiras, de 1931 a 1934.

Nomeação como Marechal

Em 5 de maio de 1955, data de seu aniversário de 90 anos, recebeu o título de Marechal Honorário do Exército Brasileiro, concedido pelo Congresso Nacional

Patrono das comunicações

Patrono das comunicações

Em 1963, foi homenageado com a designação de Patrono da Arma de Comunicações do Exército Brasileiro. E é por isso, que no dia 5 de maio, é celebrado o Dia Nacional das Telecomunicações, em homenagem ao dia do seu aniversário. Se vê que o dia 5 de maio, foi bem marcante na vida de Rondon.

Considerações finais

Tinha que falar do Marechal Rondon, por ter servido no exército na área de comunicações como soldado. Onde tive a oportunidade de conhecer mais sobre esse patrono que foi muito importante para a nossa história e contribuiu muito para a proteção dos índios.

E vale lembrar que:

  • Em 1939, Rondon é nomeado presidente do Conselho Nacional de Proteção aos Índios.
  • Em 1943, o Dia do Índio é instituído no Brasil.
  • Em 1948, constrói em Mimoso, com recursos próprios, as Escolas Reunidas Santa Claudina.
  • Em 1952, encaminha ao presidente da República o projeto de criação do Parque do Xingu, elaborado por antropólogos e indigenistas.
  • Em 1953, junto com Darcy Ribeiro, inaugura o Museu do Índio.
  • Em 1955, lança o último volume da sua obra Índios do Brasil.
  • Em 1956, o território de Guaporé é renomeado Rondônia.
  • Em 1957, surge, no exterior e no Brasil, um movimento apresentando a sua candidatura ao Prêmio Nobel da Paz .
  • Em 1958, com 92 anos, falece a 19 de janeiro em sua residência no Rio de Janeiro.

Acredito que foi possivel mostrar uma parte da história desse indivíduo que teve grande importância na evolução do Brasil.

Referências

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