Mais forte que o mundo - A história de José Aldo

Mais forte que o mundo - A história de José Aldo

José Aldo (José Loreto) desde pequeno precisa lidar com o problema de alcoolismo do seu pai, que com frequência resulta em violência doméstica, tendo a sua mãe como principal vítima. Tendo esses problemas, Aldo precisa enfrentar a si mesmo e achar uma válvula de escape, para não acabar se transformando no que mais odeia. Ao se mudar para o Rio de Janeiro, recebe o apoio de um amigo e conhece Vivianne Oliveira (Cleo Pires). Começa a trabalhar na limpeza de uma academia por troca de moradia, assim, iniciando assim sua carreira no mundo do MMA.

Elenco

José Loreto, Cleo Pires, Jackson Antunes, Claudia Ohana, Rômulo Arantes Neto, Milhem Cortaz, Rafinha Bastos, Robson Nunes, José Trassi, Thaila Ayala, Georgina Castro e mais.

Dados técnicos

Título original: Mais forte que o mundo - A história de José Aldo

  • Data de lançamento: 16 de junho de 2016 (Brasil)
  • Direção: Afonso Poyart
  • Roteiro: Afonso Poyart e Marcelo Rubens Paiva
  • Gênero: Esporte, Biografia e Drama
  • País: Brasil
  • Duração: 107 min
  • Classificação: 14 Anos
  • Orçamento: R$ 7 milhões

Personagens em destaque: José Aldo José Loreto, Seu José Jackson Antunes e Vivianne Oliveira Cleo Pires.

Roteiro

A história retrata os anos de 2005 a 2011 da vida de José Aldo, desde a sua saída de Manaus até o dia em que venceu o cinturão do UFC contra Mark Hominick, no Canadá.

O roteiro acaba sendo algo mais voltado para a realidade, do que para uma maquiagem hollywoodiana. Isso pode ser um ponto negativo para se ter uma empatia com o personagem principal. A raiva, comportamento explosivo e até tratar mal a namorada, são fatores que não aproximam o espectador a uma possível admiração.

O enredo tem um foco maior na questão psicologica de Aldo e nem tanto nos treinos. Essa seria uma diferença se fossemos comparar com Creed: Nascido para Lutar(2015), por exemplo.

A realidade de amor e ódio com o pai, fica tão próxima da realidade que pode ser decepcionante para alguns espectadores. Com a questão do “politicamente correto” que vemos hoje nas redes sociais, muitas situações do longa se tornam incabíveis na cabeça de muitos.

Ao mesmo tempo que o roteiro mostra uma realidade inadmissível, também tenta mostrar que se deve olhar a origem do problema e se tentar ajudar ou invés de apenas julgar. Nesse ponto mostrou as suas falhas no enredo. Mesmo sendo uma biografia, mas não sendo 100% verídico, faltou uma melhor abordagem da motivação para a superação. Pois em resumo, a sensação que fica, é uma confusão entre admiração com relação a uma pessoa que só bebe e espanca a esposa, e uma raiva que o faz ser campeão.

Assim, se mostrando uma história que por pouco não acabou em desastre. Não sendo muito inspiradora, porque não retratou no meu ponto de vista, um desejo de superar as dificuldades e não ser como o seu pai. Apenas mostrou que Aldo, tinha seus conflitos internos e fazia besteiras, como o Seu José. E como sabemos, por mais difícil que possa ser a nossa vida, algumas coisas não são justificáveis. Na cena da cama do hospital, meio que se cria justificativas para o Seu José. E Aldo, só mostra que está no controle e vai lutar para não cometer erros, na cena rápida do pedido de casamento.

Então, o enredo se perde um pouco entre realidade, conflitos e motivação positiva. Deixando a sensação que simplesmente terminou do jeito que conhecemos, e não que a determinação de mudança foi o fator primordial. Apesar de termos essa visão na cena de luta contra si mesmo, nos momentos finais.

Interpretação

As atuações tiveram um grande peso no longa. Todos estavam muito convincentes em seus papéis. Antunes, sabe fazer como ninguém alguém que facilmente conseguimos odiar, com um diferencial dessa vez nas cenas que sentíamos pena ou compaixão.

Até o Rafinha Bastos, se encaixou bem no papel proposto. Achei que ele seria um traficante ou algo do tipo, mas ficou harmônico com as tiradas de comédia.

O grande destaque fica para o José Loreto, por toda a dedicação e sangue dedicados ao personagem.

Não posso deixar de falar do Rômulo Arantes Neto, que caprichou na sua interpretação e na coreografia das lutas. A cena onde ele leva um gancho(Uppercut) de Aldo, foi muito bem feita.

Fotografia

Essa responsabilidade fica por conta de Carlos André Zalasik, que faz um excelente trabalho. O que me chamou mais a atenção foi a cena da cozinha, muitos detalhes e principalmente a luz.

Houve uma grande quantidade de jogo rápido com a câmera que me deixava preocupado, mas pelo orçamento e pelo segmento do filme, são necessários.

O destaque ficava por conta da luz e contraluz, nas maiorias das cenas. Nas lutas a câmera lenta e o jogo com as luzes de corte, são um espetáculo à parte (Um dia faço, 1% parecido….rs).

Trilha sonora

Samuel Ferrari, fica no comando e complementa muito bem o longa. É notável a mesclagem de sucessos nacionais e internacionais.

O ritmo segue a atmosfera do longa, sendo bem dinâmico, tendo os seus pontos altos durante as lutas e as cenas de grande impacto.

É para quem já ouvia Everybody wants to rule the world, com Tears for fears e agora com a versão da Lorde (que foi feita para a trilha sonora de Jogos Vorazes), encara o trailer como uma obra de arte. S2 :)

Edição

Lucas Gonzaga assina a montagem do longa. A parceria com o diretor, já é algo comum. Os dois já trabalharam juntos em 2 Coelhos(2012) e Presságios de um crime(2015).

O mesmo falou sobre o as cenas de ação do filme:

Nosso medo era fazer um filme de ação que não ficasse como aquelas tosquices que se costuma fazer no Brasil. Não há como fazer cenas como aquela briga no bar sem ter bastante material bruto, o que torna o trabalho mais difícil.

Direção

Afonso Poyart comanda o show como diretor e roteirista. O seu currículo está impecável: 2 Coelhos(2012), Presságios de um crime(2015) e o que está sendo citado artigo.

Primeiro filme brasileiro que fala sobre o MMA. Sobre fazer um filme de luta, o diretor diz:

Quando li sobre a vida dele, me apaixonei pela história. Depois de conhecê-lo, mais ainda. É uma pessoa admirável. Mas o fato é que nunca me interessei em fazer um filme sobre luta. Simplesmente aconteceu.

Meu interesse no filme é contar como um amazonense da periferia conseguiu chegar a um palco mundial. Como ele conseguiu superar as dificuldades pessoais, da família pobre. O pai bebia e batia na mãe, a mãe largou ele muito cedo. Então o filme está mais centrado na confecção desse herói do que na atualidade dele.

Sobre a jornada de Aldo ser refletida na linguagem visual do filme:

Quando ele está em Manaus é quase como um pesadelo. A direção de arte é muito saturada, filmamos quase tudo à noite. É um lugar noturno, escuro, difícil. Quando o Aldo chega ao Rio, tomamos um cuidado para filmar nos melhores dias possíveis. Então tem céu azul, é tudo claro e amplo. Ele encontra uma vida nova ali. E o filme tem essa energia jovem de um cara que quer conquistar o mundo.

Eu sabia que ia ter ficção no meio. A gente criou algumas coisas para dar um pouco mais de dramaticidade cinematográfica. E isso é difícil porque temos que honrar a história dele.

Entretenimento

O longa consegue ser mais que apenas ação. Fica na lista de um os melhores filmes brasileiros na minha opinião. Não é uma filme para toda a família, tendo uma classificação de 14 anos.

Apesar do drama, tem suas tiradas de comédia, fazendo um equilíbrio bem legal. Creio que não deixa ninguém sair decepcionado do cinema.

Curiosidades

  • A princípio quem estava escalado para interpretar a vida de José Aldo, era Malvino Salvador. Por conflito na agenda o ator teve que desistir do projeto, sendo substituído por José Loreto.
  • José Loreto treinou vários tipos de modalidades de artes marciais e perdeu 5 kg com uma dieta rigorosa, para interpretar o personagem.
  • Ex-campeão dos penas do UFC, José Aldo é o único brasileiro na lista “30 abaixo dos 30” da revista Forbes, divulgada no início desse ano
  • Inicialmente, a estreia de Mais Forte que o Mundo estava agendada para 14 de janeiro de 2016, mas devido à derrota de José Aldo para o irlandês Conor McGregor em apenas 13 segundos, em luta realizada em 13 de dezembro de 2015, o lançamento foi adiado.
  • José Aldo revelou que cerca de 70% do roteiro do filme é verídico.
  • Em uma cena em que o personagem principal confronta a mãe vítima de violência doméstica, o ator José Loreto surpreendeu a produção ao quebrar por conta própria, com um soco, um dos espelhos do cenário. A lesão na mão trouxe sangue real à tela.
  • José Loreto dispensou o dublê e por vezes passou mal e até vomitou em tanta intensidade em algumas cenas.
  • O longa teve o título provisório de Vale Tudo - Uma História de Luta na pré-produção.
  • Em julho de 2015, houve uma paralisação nas filmagens devido um machucado de José Loreto quando foi dar um salto mortal e acabou torcendo o tornozelo.
  • Em setembro de 2015, as últimas cenas foram rodadas em Las Vegas, nos Estados Unidos.

Conclusão

Pode ter suas questões de biografia, família e certo ou errado, mas cumpre o seu papel de mostrar a história de um menino humilde que teve que superar muitos traumas e chegou ao topo da sua carreira.

Talvez não passe uma mensagem clara de inspiração e motivação no roteiro, mas se torna uma referência para se avaliar uma história em que a partir do momento que se tem o controle de si mesmo, é possível enfrentar as dificuldades do mundo e ser mais forte.

Tenho muitas semelhanças com o gosto do diretor, como 2 coelhos, gostei muito do filme e trilha sonora. Vale muito a pena assistir.

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